Cockpit do Airbus A350 preserva conceitos desenvolvidos para o A380
A cabine de comando do Airbus A350 foi projetada a partir de conceitos desenvolvidos no A380, embora tenha recebido uma organização própria para um avião mais novo e eficiente. A relação aparece na filosofia de automação, na arquitetura de aviônicos, nos sistemas de interação com os pilotos e na preocupação com a familiaridade entre diferentes modelos da Airbus. O A380 entrou em serviço em 2007, enquanto o A350 realizou seu primeiro voo em junho de 2013 e começou a operar comercialmente com a Qatar Airways em janeiro de 2015. Nesse intervalo, a Airbus pôde aproveitar a experiência acumulada com o superjumbo e remodelar sua cabine, em vez de simplesmente reproduzi-la em uma aeronave menor.
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A cabine de comando do Airbus A350 foi projetada a partir de conceitos desenvolvidos no A380, embora tenha recebido uma organização própria para um avião mais novo e eficiente. A relação aparece na filosofia de automação, na arquitetura de aviônicos, nos sistemas de interação com os pilotos e na preocupação com a familiaridade entre diferentes modelos da Airbus. O A380 entrou em serviço em 2007, enquanto o A350 realizou seu primeiro voo em junho de 2013 e começou a operar comercialmente com a Qatar Airways em janeiro de 2015. Nesse intervalo, a Airbus pôde aproveitar a experiência acumulada com o superjumbo e remodelar sua cabine, em vez de simplesmente reproduzi-la em uma aeronave menor.
A diferença visual mais evidente está no número e na função das telas. O A380 utiliza oito displays principais, além de telas adicionais associadas ao sistema de informações de bordo. O A350 adota seis telas grandes e idênticas, com o mesmo código de peça e possibilidade de intercâmbio entre hardware e software. Essa uniformidade permite redistribuir as informações pela cabine, em vez de manter cada função vinculada a uma posição fixa. O sistema pode reorganizar páginas de aviônicos automaticamente em caso de falha de uma tela, enquanto os dados exibidos em um monitor externo podem ser recuperados em outro. A configuração também reúne em uma mesma apresentação informações como indicações de flapes e compensação, perfil vertical da rota e terreno, além de manter a filosofia de indicação percentual de potência introduzida no A380.
A forma de interação com os sistemas também evoluiu. O A350 emprega unidades de teclado e controle por cursor, conhecidas como KCCUs, que permitem aos pilotos operar informações distribuídas por diferentes telas da cabine. Nos aviões Airbus mais antigos, a unidade de controle e exibição multifuncional estava mais limitada ao conteúdo de sua própria tela. No A350, o cursor pode circular entre campos e monitores, aproximando a operação de uma interface computacional. O conceito já havia sido introduzido no A380 para lidar com funções adicionais de aviônicos e informação, mas ganhou papel central no A350. Em 2019, a China Eastern recebeu o primeiro A350 com telas sensíveis ao toque opcionais. Três dos seis displays podem oferecer esse recurso, que complementa, sem substituir, os controles físicos e o KCCU.
A evolução também ocorreu na arquitetura que fica por trás das telas. O A350 utiliza uma arquitetura aviônica modular integrada, na qual diferentes funções compartilham recursos de processamento, em vez de dependerem de caixas físicas separadas para cada tarefa. A plataforma é descrita como uma evolução da arquitetura do A380, com módulos de processamento fornecidos pela Thales e switches de rede da Rockwell Collins. A segunda geração do sistema do A350 pode concentrar até 40 funções de sistemas de voo, contra 23 no A380, segundo o material técnico citado. O A350 também desenvolve a lógica de redundância conhecida como 2H2E, com dois circuitos hidráulicos e dois elétricos, em continuidade à configuração adotada no A380. Esses elementos influenciam manutenção, tratamento de falhas e integração de sistemas, mesmo sem serem visíveis aos passageiros.


