Wizz Air retoma expansão, mas ainda fica atrás da Ryanair
A Wizz Air voltou a acelerar o crescimento, mas os resultados recentes mostram que ampliar a operação não garante, por si só, rentabilidade. A companhia húngara transportou 8,7 milhões de passageiros em agosto, alta de 25,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a capacidade avançou quase 25%. No trimestre encerrado em 30 de junho, foram 21,2 milhões de passageiros, crescimento de 25,1%, com taxa de ocupação de 95,6% em agosto. Apesar da demanda elevada, a empresa registrou prejuízo líquido de €198,2 milhões no segundo trimestre de 2026, enquanto a Ryanair teve lucro após impostos de €537,7 milhões, queda de 34% na comparação anual.
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A Wizz Air voltou a acelerar o crescimento, mas os resultados recentes mostram que ampliar a operação não garante, por si só, rentabilidade. A companhia húngara transportou 8,7 milhões de passageiros em agosto, alta de 25,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a capacidade avançou quase 25%. No trimestre encerrado em 30 de junho, foram 21,2 milhões de passageiros, crescimento de 25,1%, com taxa de ocupação de 95,6% em agosto. Apesar da demanda elevada, a empresa registrou prejuízo líquido de €198,2 milhões no segundo trimestre de 2026, enquanto a Ryanair teve lucro após impostos de €537,7 milhões, queda de 34% na comparação anual.
A atual estratégia da Wizz Air é mais cautelosa do que a adotada antes dos problemas com os motores Pratt & Whitney GTF. A empresa já chegou a considerar uma frota de aproximadamente 500 aeronaves até o fim da década, mas reduziu a meta para cerca de 335 aviões no ano fiscal de 2030, ante 276 aeronaves no momento descrito pelo material. Para o mesmo período, a companhia estabeleceu objetivos de €10 bilhões em receita anual, custo operacional sem combustível de 3 centavos de euro por assento-quilômetro disponível, margem EBIT de 10% e balanço compatível com grau de investimento. A meta de passageiros é de cerca de 127 milhões por ano, quase o dobro dos 69,7 milhões transportados no último exercício completo.
A empresa ainda dispõe de capacidade que poderá ser reativada sem expansão equivalente da frota. Ao fim de junho, 27 aeronaves estavam paradas para inspeções dos motores Pratt & Whitney, contra 41 um ano antes. A expectativa informada é reduzir esse número para entre 15 e 20 até o fim do atual ano fiscal e chegar a zero até o fim de 2027. O retorno desses aviões pode sustentar parte do crescimento futuro, mas a entrada de assentos adicionais só será vantajosa se a receita acompanhar os custos. Nesse ponto, o desempenho operacional da Wizz permanece inferior ao da concorrente irlandesa.
No segundo trimestre de 2026, a Wizz gerou €1,51 bilhão em receita com 21,2 milhões de passageiros, equivalente a aproximadamente €71,10 por passageiro. A Ryanair transportou 61,3 milhões de pessoas e obteve €4,38 bilhões, ou cerca de €71,52 por passageiro. A Wizz teve participação maior de receitas auxiliares, que representaram aproximadamente 46,5% do total, ante 33,5% na Ryanair. A diferença decisiva esteve nas despesas: o custo operacional da Wizz foi de cerca de €79,75 por passageiro, resultando em perda operacional aproximada de €8,65 por pessoa. Na Ryanair, o custo ficou em €62,13, com resultado operacional positivo de €9,39 por passageiro.
Os números indicam que o principal problema da Wizz não é preencher seus aviões, mas monetizar a capacidade em ritmo suficiente para cobrir a estrutura de custos. A receita de bilhetes avançou pouco apesar do forte aumento de passageiros, enquanto a receita por assento-quilômetro disponível caiu. Ao mesmo tempo, o custo unitário sem combustível evoluiu favoravelmente. O desempenho parece refletir a combinação de combustível mais caro, aeronaves ainda imobilizadas por inspeções e mercados novos que precisam de tempo para atingir maturidade. Em setembro, a companhia anunciou corte de aproximadamente 5% na capacidade planejada para o segundo semestre, citando custos maiores e instabilidade geopolítica, mas melhorou sua projeção de receita.
