Satélites da L3Harris ampliarão dados de combate em F-35 e B-21
A Agência de Desenvolvimento Espacial dos Estados Unidos confirmou o avanço do programa Tracking Layer Tranche 3, da L3Harris, que prevê uma rede de 18 satélites infravermelhos para conectar sistemas militares de nova geração. A iniciativa pretende ampliar a chamada “nuvem de combate” americana e apoiar aeronaves como o caça F-35 Lightning II, o bombardeiro B-21 Raider e, no futuro, o F-47. A principal mudança esperada está na forma como informações de ameaças chegam ao cockpit: em vez de depender apenas de sensores próprios ou de alertas genéricos, os pilotos poderão receber dados orbitais sobre posição, trajetória e velocidade de alvos, inclusive armas hipersônicas. O sistema também foi projetado para preservar o silêncio eletrônico necessário à operação de aeronaves furtivas em áreas fortemente defendidas.
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A Agência de Desenvolvimento Espacial dos Estados Unidos confirmou o avanço do programa Tracking Layer Tranche 3, da L3Harris, que prevê uma rede de 18 satélites infravermelhos para conectar sistemas militares de nova geração. A iniciativa pretende ampliar a chamada “nuvem de combate” americana e apoiar aeronaves como o caça F-35 Lightning II, o bombardeiro B-21 Raider e, no futuro, o F-47. A principal mudança esperada está na forma como informações de ameaças chegam ao cockpit: em vez de depender apenas de sensores próprios ou de alertas genéricos, os pilotos poderão receber dados orbitais sobre posição, trajetória e velocidade de alvos, inclusive armas hipersônicas. O sistema também foi projetado para preservar o silêncio eletrônico necessário à operação de aeronaves furtivas em áreas fortemente defendidas.
A arquitetura TRKT3 combinará os satélites da L3Harris com uma tecnologia de rádio definido por software capaz de alternar entre redes comerciais de internet em órbita baixa e faixas militares protegidas. Segundo o material, essa conexão deverá usar formas de onda de baixa probabilidade de interceptação e detecção, conhecidas pelas siglas LPI e LPD. A proposta é permitir a transferência de grandes volumes de dados sem denunciar a posição da aeronave. Atualmente, transmissões convencionais, como as realizadas pelo Link 16, podem aumentar o risco de detecção em território hostil. O F-35 utiliza o enlace direcional MADL para repassar informações de alvos a outras plataformas, enquanto aeronaves mais antigas podem operar em áreas relativamente mais seguras. A nova camada espacial busca reduzir essa dependência de retransmissões vulneráveis.
No caso do B-21, a dependência de informações externas é ainda mais relevante, porque bombardeiros furtivos e seus mísseis de cruzeiro precisam de dados fornecidos por sensores espaciais para obter indicações iniciais de alvos. Se enlaces de longa distância forem bloqueados ou degradados, a cadeia de engajamento pode perder velocidade e precisão. Com a futura rede, os dados infravermelhos captados em órbita seriam processados, combinados com informações de diferentes satélites e encaminhados para as aeronaves. Em uma tela panorâmica do F-35 ou no visor montado no capacete, o piloto poderia visualizar uma representação contínua do deslocamento de uma ameaça, incluindo seu caminho provável e o ponto estimado de interceptação. O sistema também poderia integrar esse fluxo com o radar e os sensores locais, priorizando ameaças sem sobrecarregar a apresentação visual.
Os satélites do Tranche 3 deverão operar em órbita baixa, a cerca de 1.000 quilômetros de altitude, completando uma volta ao redor da Terra em aproximadamente 90 minutos. Seus sensores identificarão a assinatura infravermelha das plumas de foguetes e o calor produzido pelo atrito atmosférico de armas hipersônicas. Como cada satélite teria uma janela de observação limitada, a estratégia depende de uma constelação numerosa, estimada entre 300 e 500 unidades, para reduzir pontos cegos. O processamento a bordo transformará os sinais em trilhas com posição, trajetória e intensidade térmica, que depois serão combinadas em estações terrestres para formar perfis tridimensionais mais precisos. A rede em órbita baixa também pretende ser menos vulnerável à perda de alguns satélites do que arquiteturas antigas baseadas em poucos veículos geoestacionários.


