Falcon 5X foi cancelado após falhas no motor Silvercrest
A Dassault Aviation cancelou o programa do jato executivo Falcon 5X em dezembro de 2017, apesar de a aeronave já ter realizado seu primeiro voo e estar próxima de uma configuração operacional. O principal obstáculo foi o motor turbofan Silvercrest, desenvolvido pela Safran. Problemas técnicos no compressor de alta pressão impediram que o propulsor alcançasse os requisitos de desempenho e certificação. Como o avião dependia de um motor certificado e pronto para produção antes do início das entregas, os atrasos do Silvercrest acabaram comprometendo todo o cronograma do programa e sua viabilidade comercial.
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A Dassault Aviation cancelou o programa do jato executivo Falcon 5X em dezembro de 2017, apesar de a aeronave já ter realizado seu primeiro voo e estar próxima de uma configuração operacional. O principal obstáculo foi o motor turbofan Silvercrest, desenvolvido pela Safran. Problemas técnicos no compressor de alta pressão impediram que o propulsor alcançasse os requisitos de desempenho e certificação. Como o avião dependia de um motor certificado e pronto para produção antes do início das entregas, os atrasos do Silvercrest acabaram comprometendo todo o cronograma do programa e sua viabilidade comercial.
Anunciado durante a convenção da NBAA em Las Vegas, em outubro de 2013, o Falcon 5X seria o novo avião executivo topo de linha da Dassault e o modelo mais avançado tecnologicamente produzido pela companhia até então. O projeto previa uma cabine com quase 1,83 metro de altura, controles de voo fly-by-wire derivados da experiência da fabricante em aeronaves executivas e de combate, além de autonomia estimada em aproximadamente 5.200 milhas náuticas, ou 9.630 quilômetros. Essas características despertaram interesse no mercado, embora apenas informações limitadas sobre os pedidos tenham sido divulgadas publicamente.
O Silvercrest foi concebido pela Safran como uma alternativa aos motores fornecidos pelos fabricantes tradicionais do setor. Durante o desenvolvimento e os testes, contudo, o compressor de alta pressão apresentou deficiências de desempenho. A Safran modificou repetidamente o projeto para tentar solucionar o problema, mas cada alteração exigia novas etapas de ensaio e validação. A Cessna também havia demonstrado interesse no motor para o jato Citation Longitude, mas posteriormente escolheu o HTF7700L, da Honeywell. Os problemas de produção e desenvolvimento do Silvercrest transformaram uma possível vantagem tecnológica em um fator de atraso para a aeronave da Dassault.
O Falcon 5X fez seu voo inaugural em 5 de julho de 2017, mas esse marco não foi suficiente para permitir a certificação do avião ou o começo das entregas. A certificação envolve o conjunto completo que será entregue aos clientes, incluindo os motores em sua configuração de produção. Assim, mesmo com a estrutura da aeronave voando, a Dassault ainda precisava de um Silvercrest certificado e confiável. A demora também começou a afetar a confiança dos compradores. Segundo as informações divulgadas sobre o programa, 12 pedidos foram cancelados em 2016, enquanto o único cliente publicamente identificado era a Wallan Aviation; outros compromissos não haviam sido revelados.
Em 14 de dezembro de 2017, a Dassault anunciou o encerramento definitivo do Falcon 5X, cancelando também o pedido conhecido da Wallan Aviation. A decisão ocorreu depois de sucessivos adiamentos e da crescente dificuldade de sustentar comercialmente um projeto cuja entrada em serviço permanecia incerta. O material disponível não aponta problemas estruturais ou de projeto na aeronave como causa do cancelamento. Ao contrário, a fabricante considerou aproveitável boa parte do trabalho realizado no avião e decidiu manter sua presença no segmento de jatos executivos de cabine ampla por meio de outro programa.


