LATAM prevê forte impacto sobre rivais se combustível continuar caro
A LATAM Airlines Group avalia estar em posição financeira relativamente mais sólida para enfrentar a persistência dos preços elevados do combustível de aviação, mas prevê dificuldades relevantes para concorrentes caso o cenário se prolongue. O presidente-executivo Roberto Alvo afirmou que o balanço patrimonial e a estrutura de custos do grupo o colocam “do lado forte” do setor diante da pressão sobre as margens. Ao mesmo tempo, a companhia já trabalha com restrições ao crescimento da capacidade e considera que o mercado poderá passar por uma desorganização significativa se o combustível permanecer caro por mais tempo do que o esperado.
FlightGlobal3 min de leitura
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A LATAM Airlines Group avalia estar em posição financeira relativamente mais sólida para enfrentar a persistência dos preços elevados do combustível de aviação, mas prevê dificuldades relevantes para concorrentes caso o cenário se prolongue. O presidente-executivo Roberto Alvo afirmou que o balanço patrimonial e a estrutura de custos do grupo o colocam “do lado forte” do setor diante da pressão sobre as margens. Ao mesmo tempo, a companhia já trabalha com restrições ao crescimento da capacidade e considera que o mercado poderá passar por uma desorganização significativa se o combustível permanecer caro por mais tempo do que o esperado.
A empresa havia indicado anteriormente que a alta dos custos já limitava a expansão da oferta e poderia obrigar o setor a reduzir voos planejados. Em declarações feitas em junho, Alvo afirmou que as companhias aéreas talvez precisassem cortar capacidade adicionalmente se o choque de combustível avançasse até 2027. A avaliação apresentada tratava o problema como uma questão estrutural, e não apenas como uma elevação temporária de preços. Nesse contexto, as empresas precisam ajustar sua programação, administrar a exposição ao combustível e preservar a rentabilidade em um ambiente no qual repassar integralmente os custos aos passageiros pode reduzir a demanda.
O efeito financeiro da variação do querosene é expressivo para a LATAM. Segundo o material complementar, uma mudança de US$ 10 por barril no preço do combustível pode representar aproximadamente US$ 370 milhões de impacto anual nos custos da companhia. As premissas adotadas para o fim de 2026 também apontam para mais de US$ 900 milhões em despesas adicionais com combustível no quarto trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025. Esses valores ajudam a dimensionar a pressão sobre os resultados e explicam por que a empresa diferencia sua capacidade de absorção de custos da situação de outras transportadoras.
A LATAM já reduziu parte da oferta e caminha para a faixa inferior de sua projeção de crescimento de capacidade para 2026, conforme informações citadas no contexto fornecido. A companhia também acompanha problemas persistentes nas cadeias de suprimentos de aeronaves e motores, que podem continuar por dois ou três anos. A combinação de aeronaves novas chegando mais lentamente, manutenção de aviões mais antigos em operação e combustível caro tende a elevar os custos operacionais. É possível inferir que empresas com menor folga financeira ou estruturas de custo menos competitivas enfrentem maior necessidade de rever rotas, frequências e planos de expansão caso as condições permaneçam desfavoráveis.
No Brasil, a operação da LATAM também sinaliza uma expansão mais cautelosa para 2027. O presidente-executivo da Latam Brasil, Jerome Cadier, relacionou a perspectiva a combustível caro, dólar mais alto e possíveis efeitos da reforma tributária sobre a demanda por viagens. A empresa avalia adiar a chegada de algumas aeronaves e ajustar a oferta, enquanto reconhece que aumentos de tarifas podem reduzir a ocupação dos voos. Mesmo que o preço do querosene recue em relação ao pico recente, a expectativa é de que o custo em 2027 permaneça acima do projetado anteriormente. O material indica, portanto, que a pressão pode afetar simultaneamente a expansão, a formação de preços e o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado brasileiro.


