FAA exige inspeções em tanques de combustível de Boeing 787
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou inspeções em determinados Boeing 787-8, 787-9 e 787-10 após identificar uma possível falha relacionada ao selante usado nos tanques centrais de combustível. Segundo a agência, verificações visuais e testes de aderência exigidos durante a fabricação podem não ter sido realizados ou não podem ser comprovados pelos registros disponíveis. Caso o selante apresente problemas, uma descarga elétrica atmosférica poderia gerar uma fonte de ignição dentro do tanque e elevar o risco de explosão dos vapores de combustível. A medida é preventiva e não há indicação, no material fornecido, de que o problema já tenha provocado um evento em voo.
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A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou inspeções em determinados Boeing 787-8, 787-9 e 787-10 após identificar uma possível falha relacionada ao selante usado nos tanques centrais de combustível. Segundo a agência, verificações visuais e testes de aderência exigidos durante a fabricação podem não ter sido realizados ou não podem ser comprovados pelos registros disponíveis. Caso o selante apresente problemas, uma descarga elétrica atmosférica poderia gerar uma fonte de ignição dentro do tanque e elevar o risco de explosão dos vapores de combustível. A medida é preventiva e não há indicação, no material fornecido, de que o problema já tenha provocado um evento em voo.
A diretriz de aeronavegabilidade foi publicada no Registro Federal em 2 de novembro e está prevista para entrar em vigor em 7 de dezembro. O texto alcança 60 aeronaves registradas nos Estados Unidos, embora a quantidade mundial possa ser maior. A FAA identificou os aviões abrangidos com base nas informações fornecidas pela Boeing, e operadores de aeronaves registradas em outros países também poderão ser afetados caso suas autoridades nacionais adotem providências semelhantes. O material não apresenta um número definitivo para a frota global sujeita às inspeções.
Os trabalhos deverão abranger o selante nas seções esquerda, direita e central da região em que as asas se unem à fuselagem. Também será necessário examinar a área que vai da nervura lateral da fuselagem até a segunda nervura, além de realizar testes para verificar a aderência do material. Se forem encontrados defeitos, as companhias deverão executar os reparos necessários. A estimativa apresentada pela FAA é de 34 horas de trabalho e custo de US$ 2.890 por aeronave, sem incluir eventuais reparos. A Boeing informou que parte dessas despesas poderá ser coberta pela garantia.
A preocupação regulatória está associada às características de proteção contra raios do 787. O modelo utiliza uma quantidade significativa de materiais compostos, o que torna especialmente importante o controle dos caminhos de dissipação de descargas elétricas e a prevenção de ignição nos tanques. A Boeing sustenta que o Dreamliner conta com outras camadas de proteção contra raios. Ainda assim, a FAA afirma que, se a condição não for corrigida, poderá se desenvolver uma fonte de ignição no volume do tanque durante uma descarga atmosférica, com risco subsequente de explosão.
Descargas elétricas em aeronaves comerciais não são eventos excepcionais: o material estima que um avião comercial seja atingido por um raio, em média, uma ou duas vezes por ano. Explosões de tanques causadas por raios, por outro lado, são extremamente raras na aviação moderna. Um caso histórico citado é o do voo 214 da Pan Am, operado por um Boeing 707, que caiu em dezembro de 1963 depois que um raio teria inflamado vapores de combustível em um tanque de reserva. As 81 pessoas a bordo morreram. Desde então, fabricantes precisam projetar e testar as aeronaves para demonstrar que uma descarga elétrica não provocará a ignição dos vapores nos tanques.


