ITA Airways avalia rota entre Milão e Lima para conter avanço da Emirates
A ITA Airways avalia retomar operações regulares de longa distância no Aeroporto de Milão-Malpensa, quase três anos depois de realizar seu último voo intercontinental programado a partir do terminal. A companhia italiana considera lançar uma ligação com o Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, no Peru. A análise ocorre em meio aos planos atribuídos à Emirates de conectar as duas cidades em voos de quinta liberdade, como extensão de sua operação entre Dubai e Milão. A ITA pretende, assim, disputar diretamente a rota e também incluir Roma em uma futura ligação com a capital peruana.
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A ITA Airways avalia retomar operações regulares de longa distância no Aeroporto de Milão-Malpensa, quase três anos depois de realizar seu último voo intercontinental programado a partir do terminal. A companhia italiana considera lançar uma ligação com o Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, no Peru. A análise ocorre em meio aos planos atribuídos à Emirates de conectar as duas cidades em voos de quinta liberdade, como extensão de sua operação entre Dubai e Milão. A ITA pretende, assim, disputar diretamente a rota e também incluir Roma em uma futura ligação com a capital peruana.
A Emirates já utiliza o modelo de quinta liberdade na ligação entre Milão-Malpensa e Nova York-JFK, prolongando até os Estados Unidos um serviço originado em seu centro de operações, no Aeroporto Internacional de Dubai. A possibilidade de uma extensão até Lima teria provocado resistência de setores da aviação comercial italiana. Além da ITA Airways, a companhia aérea Neos teria manifestado oposição e recorrido à Autoridade Nacional de Aviação Civil da Itália, conhecida pela sigla ENAC, antes de uma eventual decisão sobre a autorização da rota.
Para operar o novo serviço, a ITA não precisaria reabrir uma base completa em Malpensa. O plano considerado prevê uma rotação em formato de “W”, realizada por uma aeronave baseada no Aeroporto de Roma-Fiumicino. Nesse arranjo, o avião partiria de Roma para Lima, seguiria depois para Milão, retornaria a Lima e, por fim, voaria novamente para Roma. A operação permitiria atender os dois mercados com o mesmo avião Airbus A350, em uma frequência estimada de duas ou três vezes por semana.
A demanda potencial aparece como um dos fatores que sustentam a avaliação da rota. Dados setoriais citados no material apontam que aproximadamente 189 mil passageiros viajam anualmente entre Milão e Lima por meio de conexões. Em uma hipótese de cinco frequências semanais em cada sentido, esse volume equivaleria a uma média de cerca de 363 passageiros por voo, enquanto a Emirates teria interesse em operar diariamente. O mercado entre Roma e Lima é menor, com cerca de 62 mil passageiros por ano, mas poderia representar uma média próxima de 200 passageiros por voo em uma programação hipotética de três frequências semanais por sentido.
A preferência histórica da ITA Airways por Linate ajuda a explicar a opção por uma operação sem base permanente em Malpensa. O aeroporto de Linate é há muito tempo o principal terminal da companhia em Milão, uma estratégia que também marcou a antecessora Alitalia. Dados históricos de programação indicam que a Alitalia só registrou mais voos em Malpensa do que em Linate pela última vez em 2008, quando contabilizou 24.343 operações contra 18.739. Em 2006, seu pico em Malpensa chegou a 62.243 voos. Em 2009, a situação se inverteu: Linate alcançou 20.132 operações, enquanto Malpensa caiu para 5.167. Houve uma elevação temporária para 9.181 voos em 2019, mas a pandemia de coronavírus interrompeu qualquer retomada duradoura. O CEO da ITA, Jörg Eberhart, afirmou que a empresa deseja atender às necessidades das diferentes regiões italianas por meio do desenvolvimento de sua rede.


