Reino Unido admite entrada da Alemanha no programa de caça GCAP
O primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou em 8 de outubro de 2026 que o Reino Unido está aberto à participação da Alemanha no Global Combat Air Programme (GCAP), iniciativa de caça de sexta geração conduzida atualmente por Reino Unido, Itália e Japão. A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva conjunta com o chanceler alemão Friedrich Merz, em Berlim, na primeira visita de Burnham à capital alemã como chefe de governo. Segundo o premiê, Londres pretende discutir a possibilidade com Roma e Tóquio no período seguinte. A manifestação, porém, não representa a entrada formal da Alemanha no projeto, e as conversas ainda estavam em estágio inicial.
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O primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou em 8 de outubro de 2026 que o Reino Unido está aberto à participação da Alemanha no Global Combat Air Programme (GCAP), iniciativa de caça de sexta geração conduzida atualmente por Reino Unido, Itália e Japão. A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva conjunta com o chanceler alemão Friedrich Merz, em Berlim, na primeira visita de Burnham à capital alemã como chefe de governo. Segundo o premiê, Londres pretende discutir a possibilidade com Roma e Tóquio no período seguinte. A manifestação, porém, não representa a entrada formal da Alemanha no projeto, e as conversas ainda estavam em estágio inicial.
Um funcionário alemão afirmou que Berlim ainda avaliava suas opções e não havia tomado decisão sobre o programa. Merz demonstraria preferência por uma solução europeia em vez de um desenvolvimento alemão isolado, mas a participação no GCAP dependeria de negociações sobre requisitos operacionais, divisão industrial e responsabilidades no projeto. Um representante alemão descreveu a iniciativa britânica como um primeiro passo limitado, e não como decisão ou pré-decisão. Informações posteriores indicaram que o governo alemão continuava examinando a possibilidade, sem garantir uma adesão formal ou um compromisso imediato com o calendário dos atuais parceiros.
O GCAP tem como objetivo desenvolver um caça furtivo de sexta geração, conhecido informalmente como Tempest, com entrada em serviço prevista para 2035. A área industrial é liderada por BAE Systems, Leonardo e Mitsubishi Heavy Industries, ligadas respectivamente aos três países participantes. O programa foi estruturado para admitir diferentes níveis de envolvimento, e o Canadá tornou-se seu primeiro país observador em julho. A Arábia Saudita também vem sendo mencionada como possível integrante. A eventual entrada alemã poderia ampliar o financiamento e gerar economias de escala, especialmente porque o país já coopera com Reino Unido e Itália no desenvolvimento e na operação do Eurofighter Typhoon.
A incorporação alemã também traria riscos de coordenação. Analistas avaliam que um parceiro adicional poderia ajudar a dividir os custos em um momento de pressão sobre o orçamento britânico, enquanto a Itália já indicou abertura a novos participantes pelo mesmo motivo. O Japão, contudo, pode demonstrar maior cautela, pois mantém o objetivo de colocar o novo avião em serviço em 2035 diante das preocupações de segurança relacionadas à China e da previsão de retirada de seus caças F-2 em meados da década de 2030. Uma participação alemã com exigências amplas sobre o desenho da aeronave, capacidades próprias e participação da indústria nacional poderia alterar o equilíbrio do projeto e provocar atrasos. Por isso, o envolvimento teria de ser cuidadosamente estruturado.
A busca alemã por alternativas ocorre após o colapso, em junho de 2026, do caça tripulado associado ao Future Combat Air System (FCAS), lançado por Alemanha e França em 2017 com posterior participação espanhola. O projeto foi prejudicado por uma disputa de divisão de trabalho entre Airbus e Dassault Aviation, além de requisitos nacionais diferentes: a França precisava de uma aeronave com capacidade nuclear e compatibilidade com porta-aviões, enquanto a Alemanha não tinha as mesmas necessidades. Os dois países ainda desenvolvem conjuntamente a chamada nuvem de combate, rede digital para conectar aeronaves, drones e satélites, mas a França avançou com um caça próprio e a Alemanha deve conduzir um programa separado. No mesmo encontro em Berlim, os governos também lançaram uma parceria contra ameaças híbridas, ratificaram o Tratado de Kensington e defenderam maior cooperação entre o Reino Unido e a União Europeia.

