Parlamentares dos EUA pedem exclusão de dados de funcionários da Spirit
Mais de 100 parlamentares dos Estados Unidos pressionam o Google e a Spirit Airlines a proteger informações de trabalhadores incluídas em uma proposta de venda de dados internos da companhia aérea. O negócio, estimado em cerca de US$ 10 milhões, ocorre no contexto da falência da Spirit e prevê a transferência de um amplo acervo para uso no treinamento de sistemas de inteligência artificial. A principal reivindicação é que os dados pessoais e trabalhistas de empregados atuais e antigos sejam excluídos, na maior extensão possível, antes da conclusão da operação. Uma audiência sobre a venda está prevista para 14 de outubro.
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Mais de 100 parlamentares dos Estados Unidos pressionam o Google e a Spirit Airlines a proteger informações de trabalhadores incluídas em uma proposta de venda de dados internos da companhia aérea. O negócio, estimado em cerca de US$ 10 milhões, ocorre no contexto da falência da Spirit e prevê a transferência de um amplo acervo para uso no treinamento de sistemas de inteligência artificial. A principal reivindicação é que os dados pessoais e trabalhistas de empregados atuais e antigos sejam excluídos, na maior extensão possível, antes da conclusão da operação. Uma audiência sobre a venda está prevista para 14 de outubro.
A transação envolve aproximadamente 100 milhões de e-mails e 500 milhões de mensagens trocadas pelo Microsoft Teams, além de outros registros corporativos. O conjunto também pode conter informações relacionadas a funcionários, como registros de ponto, dados de folha de pagamento, documentos fiscais e contratos de trabalho. Para os parlamentares, a amplitude do material cria riscos específicos de privacidade, porque comunicações profissionais podem estar associadas a informações pessoais e identificáveis de trabalhadores.
A mobilização foi liderada pela senadora Elizabeth Warren e pelo deputado Steven Horsford, com participação de parlamentares dos dois partidos. Em uma carta dirigida ao Google e à Spirit, o grupo pediu que a empresa de tecnologia não absorva integralmente o acervo disponibilizado na operação. A recomendação é remover os dados de empregados sempre que possível e adotar salvaguardas adicionais para impedir o uso indevido de informações pessoais em processos de treinamento de inteligência artificial.
A Comissão de Comércio do Senado também divulgou uma manifestação sobre o caso. O documento, associado à senadora Maria Cantwell e a outros parlamentares, defende mecanismos de anonimização e confidencialidade para proteger trabalhadores atuais e antigos. A intervenção legislativa concentra-se na possibilidade de que documentos produzidos para fins administrativos e trabalhistas sejam transferidos em uma venda de ativos decorrente de insolvência, sem garantias suficientes sobre seu tratamento posterior.
O Google obteve os direitos de compra em um leilão relacionado à venda de ativos supervisionada judicialmente, segundo o material disponível. A operação passou a ser tratada pelos parlamentares como um caso incomum de governança de dados corporativos, pois combina a falência de uma companhia aérea, um acervo interno de grande escala e o uso potencial de informações no desenvolvimento de inteligência artificial. A audiência marcada para 14 de outubro deverá integrar o processo de análise da transação, enquanto as empresas enfrentam pressão para limitar o escopo dos dados transferidos e estabelecer proteções para os trabalhadores.
As preocupações apresentadas não se restringem ao volume do acervo, mas também à natureza dos registros incluídos. E-mails e mensagens corporativas podem conter conversas sobre empregados, enquanto documentos de pagamento, impostos, contratos e controle de jornada podem revelar informações sensíveis sobre sua vida profissional. Os parlamentares sustentam que esse conteúdo não deve ser tratado automaticamente como parte de um pacote tecnológico apenas porque está armazenado nos sistemas da empresa. O caso também amplia o debate sobre quais limites devem ser aplicados ao uso de dados corporativos em processos de falência e em treinamentos de inteligência artificial.