Aviação africana cresce, mas governos atrasam integração regional
As companhias aéreas africanas ampliam capacidade e tráfego, mas continuam enfrentando obstáculos regulatórios, tributários e operacionais que limitam sua rentabilidade. A capacidade de assentos no continente avançou 8,8% em agosto de 2026, enquanto a oferta em rotas intra-africanas cresceu 10,5%. O tráfego, medido em passageiros-quilômetro pagos, aumentou 5,8% em julho, e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) projeta expansão de 6% para as empresas africanas em 2026, acima da previsão global de 4,9%. Apesar disso, o lucro líquido combinado esperado para o setor é de apenas US$ 200 milhões, margem de 1% e equivalente a US$ 1,30 por passageiro, contra US$ 7,90 na média mundial.
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As companhias aéreas africanas ampliam capacidade e tráfego, mas continuam enfrentando obstáculos regulatórios, tributários e operacionais que limitam sua rentabilidade. A capacidade de assentos no continente avançou 8,8% em agosto de 2026, enquanto a oferta em rotas intra-africanas cresceu 10,5%. O tráfego, medido em passageiros-quilômetro pagos, aumentou 5,8% em julho, e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) projeta expansão de 6% para as empresas africanas em 2026, acima da previsão global de 4,9%. Apesar disso, o lucro líquido combinado esperado para o setor é de apenas US$ 200 milhões, margem de 1% e equivalente a US$ 1,30 por passageiro, contra US$ 7,90 na média mundial.
O principal entrave discutido em Nairóbi foi a aplicação incompleta do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo (SAATM), lançado pela União Africana em 2018. O acordo já reúne 38 países, responsáveis por mais de 80% do tráfego intra-africano, e os governos aprovaram, em junho de 2026, a Declaração Ministerial de Lomé para acelerar sua execução. Houve avanço na conectividade, que passou de 14,5% para 23%, além da criação de 108 novas rotas por empresas africanas entre setembro de 2022 e abril de 2025. Ainda assim, executivos defenderam que os compromissos precisam receber prazos definidos e ser convertidos em autorizações, slots e acordos operacionais efetivos. Em alguns trajetos entre países vizinhos, uma viagem terrestre de 11 ou 12 horas pode levar 21 horas por avião.
A cooperação entre empresas foi apontada como uma forma de reduzir essa fragmentação. A Kenya Airways e a RwandAir concordaram em ampliar seus acordos de compartilhamento de código para destinos além de seus respectivos centros de operações. A Kenya Airways também mantém parceria semelhante com a Qatar Airways, iniciada em outubro de 2025. O então presidente da Associação das Companhias Aéreas Africanas, George Kamal, defendeu ainda acordos de codeshare e de compartilhamento de capacidade, argumentando que nenhuma empresa consegue atender sozinha todos os 54 países do continente. O debate também envolveu o papel das companhias nacionais: enquanto alguns participantes veem esses operadores como instrumentos de conectividade e desenvolvimento, outros sustentam que os governos deveriam concentrar investimentos nos segmentos em que são mais competitivos.
Tributos e tarifas foram identificados como outra barreira relevante. Países da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental concordaram em eliminar determinadas cobranças do transporte aéreo e reduzir em 25% tarifas de passageiros e segurança a partir de janeiro de 2026. A Costa do Marfim foi o primeiro país do bloco a implementar a medida, por meio de três decretos adotados em abril. Gana criou um comitê para aplicar as regras após controvérsia envolvendo uma cobrança de segurança de US$ 18 e uma taxa de infraestrutura de US$ 100. No Quênia, a autoridade de aviação apoiou o pedido de isenção de um IVA proposto de 16,5% sobre peças e componentes de aeronaves. Em uma simulação na rota Abidjan-Dacar, impostos e tarifas chegaram a 257.100 francos CFA, acima do valor da tarifa básica de 218.100 francos CFA.


