Produção de dez Boeing 787 por mês ainda não garantiria lucro
A Boeing pretende elevar a produção do 787 Dreamliner de aproximadamente sete para dez aeronaves por mês até o fim deste ano, mas analistas avaliam que esse ritmo ainda não seria suficiente para recuperar os custos acumulados do programa. O aumento representaria cerca de um terço na produção mensal e acrescentaria aproximadamente 36 entregas anuais ao ritmo atual. Considerando uma margem bruta estimada em US$ 35 milhões por aeronave, o ganho adicional poderia chegar a cerca de US$ 1,26 bilhão por ano. Ainda assim, esse resultado não cobriria todas as despesas relacionadas ao desenvolvimento, à operação industrial e aos problemas enfrentados pelo projeto ao longo de sua história.
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- Fonte
- Simple Flying
- Data
- 24 de outubro de 2026 às 02:15 UTC
- Categoria
- Fabricantes e Industria (IND)
- Maturidade
- Materia
- Geolocalização editorial
- Boeing Everett Factory (767/777/777X) · 47.9253, -122.2010

A Boeing pretende elevar a produção do 787 Dreamliner de aproximadamente sete para dez aeronaves por mês até o fim deste ano, mas analistas avaliam que esse ritmo ainda não seria suficiente para recuperar os custos acumulados do programa. O aumento representaria cerca de um terço na produção mensal e acrescentaria aproximadamente 36 entregas anuais ao ritmo atual. Considerando uma margem bruta estimada em US$ 35 milhões por aeronave, o ganho adicional poderia chegar a cerca de US$ 1,26 bilhão por ano. Ainda assim, esse resultado não cobriria todas as despesas relacionadas ao desenvolvimento, à operação industrial e aos problemas enfrentados pelo projeto ao longo de sua história.
O 787 permanece comercialmente relevante para a Boeing. O programa acumulou quase 2.500 pedidos de 90 clientes em todo o mundo, segundo o material, o que demonstra uma demanda significativa pela família de aviões de fuselagem larga. A dificuldade da fabricante esteve menos em atrair compradores e mais em produzir e entregar as aeronaves de maneira regular. A empresa havia estabelecido, em 2006, uma meta de 16 aviões por mês, mas a produção só atingiu 14 unidades mensais em 2019. A demanda mais fraca, tensões comerciais e, posteriormente, os efeitos da pandemia sobre a cadeia global de suprimentos levaram a sucessivas reduções no ritmo.
Os problemas do programa começaram antes da crise provocada pela pandemia. A Boeing distribuiu a fabricação entre cerca de 50 fornecedores, o que dificultou a montagem inicial e contribuiu para o atraso do primeiro voo. A All Nippon Airways, cliente de lançamento, recebeu seu primeiro 787 em 2011, mais de três anos depois do prazo originalmente esperado. Em 2013, incêndios envolvendo baterias instaladas em algumas aeronaves exigiram uma reformulação do sistema e provocaram pousos de emergência. Cada interrupção aumentou os custos do projeto. O material cita estimativas de mais de US$ 32 bilhões investidos pela Boeing antes da primeira entrega e de quase US$ 10,4 bilhões em perdas futuras, encargos e ajustes relacionados ao 787 até julho.
A margem bruta estimada de US$ 35 milhões por jato entregue não representa o lucro final do programa. Esse cálculo considera a diferença entre a receita e determinados custos de produção, mas não inclui necessariamente todo o investimento acumulado em pesquisa e desenvolvimento, instalações industriais e recuperação de atrasos. Por isso, uma aeronave individual pode gerar resultado positivo enquanto o conjunto do programa continua sem recuperar seus desembolsos históricos. A análise citada indica que dez aviões mensais corresponderiam ao limite atual da unidade de Charleston, na Carolina do Sul, mas não seriam suficientes para colocar a operação novamente no azul.
Para ampliar a capacidade, a Boeing está investindo US$ 1 bilhão na expansão de suas instalações em Charleston. O projeto inclui um novo prédio de montagem final de dimensões semelhantes às da estrutura existente, além de áreas para preparação de peças e melhorias no setor de componentes internos. A empresa pretende superar a marca de dez aeronaves mensais no futuro e alcançar, com o tempo, 14 unidades por mês. Pela estimativa apresentada, cada incremento de uma aeronave mensal acrescentaria cerca de 12 entregas por ano e aproximadamente US$ 420 milhões em margem bruta anual. Um ritmo de 14 aviões mensais, comparado ao nível de dez, poderia representar US$ 1,68 bilhão adicional por ano.
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