Por que o Boeing 737 não tem portas no trem de pouso principal
O Boeing 737 se diferencia de muitos aviões comerciais por não possuir portas que cubram completamente as rodas do trem de pouso principal quando elas são recolhidas. O modelo utiliza seis rodas ao todo: duas no trem dianteiro e quatro divididas entre os dois conjuntos principais. Embora essa configuração também seja encontrada no Airbus A320, o tratamento aerodinâmico do trem é diferente. No 737, as rodas permanecem parcialmente expostas na parte inferior da fuselagem, enquanto portas instaladas nos suportes e na estrutura da asa fecham outras áreas do compartimento. A escolha está ligada às prioridades do projeto original, lançado na década de 1960, e às limitações de peso, manutenção, custo e certificação das sucessivas versões do avião.
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- Fonte
- Simple Flying
- Data
- 27 de agosto de 2026 às 11:42 UTC
- Categoria
- Aviacao Comercial (AVC)
- Maturidade
- Materia
- Geolocalização editorial
- Senador Petrônio Portela Airport · -5.0602, -42.8237

O Boeing 737 se diferencia de muitos aviões comerciais por não possuir portas que cubram completamente as rodas do trem de pouso principal quando elas são recolhidas. O modelo utiliza seis rodas ao todo: duas no trem dianteiro e quatro divididas entre os dois conjuntos principais. Embora essa configuração também seja encontrada no Airbus A320, o tratamento aerodinâmico do trem é diferente. No 737, as rodas permanecem parcialmente expostas na parte inferior da fuselagem, enquanto portas instaladas nos suportes e na estrutura da asa fecham outras áreas do compartimento. A escolha está ligada às prioridades do projeto original, lançado na década de 1960, e às limitações de peso, manutenção, custo e certificação das sucessivas versões do avião.
Quando o 737 foi desenvolvido, sua missão principal era operar rotas curtas a partir de aeroportos menores e menos desenvolvidos. A aeronave foi projetada para ser simples, resistente e fácil de atender em solo. Sua baixa altura facilitava o acesso das equipes de serviço, mas essa característica, por si só, não explica a ausência das portas: outros aviões de baixa distância em relação ao solo, como o BAC 1-11, utilizavam esse componente. A simplicidade, porém, era um fator central. Sem portas adicionais, havia menos peças móveis sujeitas a falhas e menos componentes que precisariam de reparos especializados em aeroportos com infraestrutura limitada.
As portas do trem de pouso podem melhorar a eficiência aerodinâmica ao deixar a parte inferior da aeronave mais lisa, mas também acrescentam peso e complexidade. Nos primeiros 737, que eram voltados sobretudo para voos curtos, o ganho de combustível durante o cruzeiro seria relativamente limitado. O material indica que, para o projeto original, a redução de peso e a facilidade de manutenção compensavam parte da penalidade causada pelo arrasto das rodas expostas. Para reduzir esse efeito, a Boeing utiliza vedações de borracha na parte inferior dos compartimentos e grandes coberturas nos cubos das rodas, soluções simples destinadas a suavizar o fluxo de ar sob a fuselagem.
A evolução do 737 transformou o avião em uma aeronave capaz de atender grandes mercados, transportar até cerca de 200 passageiros em determinadas versões e realizar voos de maior alcance, inclusive transatlânticos. Ainda assim, o programa preservou elementos fundamentais do projeto inicial. As famílias Classic, Next Generation e MAX receberam novas asas, motores, aviônicos e alterações estruturais, mas adicionar portas completas ao trem principal exigiria uma reengenharia extensa. Isso aumentaria o custo e o prazo de desenvolvimento, poderia elevar os preços e criaria riscos relacionados à certificação. Manter a configuração existente permitiu que as novas variantes continuassem associadas ao certificado de tipo do 737, embora com compromissos aerodinâmicos herdados do desenho original.
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