Por que o B-52 abandonou os canhões de cauda e o sexto tripulante
O B-52 Stratofortress deixou de operar com seu artilheiro de cauda em 1º de outubro de 1991, encerrando uma configuração que havia acompanhado o bombardeiro desde sua entrada em serviço, em 1955. O militar ocupava uma posição isolada na parte traseira da aeronave, operava o radar defensivo e controlava os canhões voltados para o setor posterior. Embora os armamentos tenham abatido dois caças MiG-21 durante a Operação Linebacker II, em dezembro de 1972, sua utilidade diminuiu diante da evolução dos mísseis e da redução da ameaça soviética. Cortes orçamentários, custos de manutenção e a reorganização da força também contribuíram para a eliminação da função, que retirou do B-52 seu único tripulante alistado e deixou a aeronave com cinco integrantes.
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O B-52 Stratofortress deixou de operar com seu artilheiro de cauda em 1º de outubro de 1991, encerrando uma configuração que havia acompanhado o bombardeiro desde sua entrada em serviço, em 1955. O militar ocupava uma posição isolada na parte traseira da aeronave, operava o radar defensivo e controlava os canhões voltados para o setor posterior. Embora os armamentos tenham abatido dois caças MiG-21 durante a Operação Linebacker II, em dezembro de 1972, sua utilidade diminuiu diante da evolução dos mísseis e da redução da ameaça soviética. Cortes orçamentários, custos de manutenção e a reorganização da força também contribuíram para a eliminação da função, que retirou do B-52 seu único tripulante alistado e deixou a aeronave com cinco integrantes.
A composição original do B-52 reunia dois pilotos, um navegador, um navegador-radar, um oficial de guerra eletrônica e o artilheiro. Nos modelos A a G, o posto traseiro empregava quatro metralhadoras de calibre .50. A versão B-52H, única ainda em operação, recebeu um canhão rotativo M61 Vulcan de 20 milímetros. Nas primeiras variantes, o militar permanecia sob uma cobertura transparente na extremidade da fuselagem, em um espaço comparado por aviadores a um caixão. A posição também sofria intensamente com a turbulência: movimentos verticais na cabine podiam ser amplificados na cauda. A partir do modelo G, o artilheiro passou a permanecer na cabine principal e a controlar remotamente a torre.
O radar de busca traseiro alcançava até 12 milhas, ou cerca de 19 quilômetros, permitindo acompanhar aeronaves que se aproximassem por trás e alertar o restante da formação. Essa capacidade resultou em duas vitórias confirmadas durante a campanha contra o Vietnã do Norte. Em 18 de dezembro de 1972, o sargento Samuel Turner, a bordo do B-52D “Brown III”, identificou um MiG-21 subindo atrás do bombardeiro e disparou uma rajada de aproximadamente 700 tiros, atingindo o caça. Seis dias depois, o soldado Albert Moore, de 18 anos, detectou outro MiG atrás do “Diamond Lil”, acionou manobras evasivas e contramedidas e abriu fogo até observar o alvo desaparecer. Apesar desses episódios, os canhões não modificaram o resultado geral da defesa dos bombardeiros.
Durante a Linebacker II, 15 B-52 foram derrubados por mísseis terra-ar norte-vietnamitas, enquanto as perdas confirmadas para caças inimigos não tiveram o mesmo peso. O armamento traseiro podia ser eficaz em um combate aproximado, mas não alcançava a principal ameaça enfrentada pelo bombardeiro. Ao mesmo tempo, os mísseis permitiam que caças atacassem a distâncias superiores ao alcance visual. O sistema de controle de tiro dos canhões também era o único equipamento do B-52 que ainda dependia de válvulas, o que dificultava a reposição de componentes. Assim, a função passou a ser vista como cara, tecnologicamente defasada e pouco adequada ao ambiente de combate predominante.


