Por que o Airbus A350 opera com um único fabricante de motores
Todos os Airbus A350 produzidos até agora utilizam motores Rolls-Royce Trent XWB, sem alternativa de fornecedor para as companhias aéreas. A configuração é incomum no mercado de aviões de fuselagem larga, no qual modelos como Boeing 777 e 787 oferecem opções de motores de diferentes fabricantes. A decisão não teria sido originalmente a preferência da Airbus, mas resultou da recusa da General Electric em desenvolver um propulsor para a versão alongada A350-1000. Com isso, a Rolls-Royce tornou-se a única empresa disposta a atender toda a família e, posteriormente, garantiu contratualmente a exclusividade do A350-900 até 2030.
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- Fonte
- Simple Flying
- Data
- 26 de outubro de 2026 às 01:03 UTC
- Categoria
- Artigo Tecnico (TEC)
- Maturidade
- Materia
- Geolocalização editorial
- Airbus FAL Toulouse - Jean-Luc Lagardere (A320/A350) · 43.6294, 1.3638
Nota editorial
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Todos os Airbus A350 produzidos até agora utilizam motores Rolls-Royce Trent XWB, sem alternativa de fornecedor para as companhias aéreas. A configuração é incomum no mercado de aviões de fuselagem larga, no qual modelos como Boeing 777 e 787 oferecem opções de motores de diferentes fabricantes. A decisão não teria sido originalmente a preferência da Airbus, mas resultou da recusa da General Electric em desenvolver um propulsor para a versão alongada A350-1000. Com isso, a Rolls-Royce tornou-se a única empresa disposta a atender toda a família e, posteriormente, garantiu contratualmente a exclusividade do A350-900 até 2030.
Quando o programa A350 foi lançado, a General Electric apresentou uma derivação da família GEnx, já utilizada no Boeing 787, para equipar o A350-900. A fabricante, porém, não aceitou criar o motor de maior empuxo necessário ao A350-1000. O material indica que a decisão não decorreu de uma deficiência técnica específica, mas de uma avaliação comercial relacionada à concorrência com o Boeing 777. A GE fornecia com exclusividade os motores GE90 para as versões 777-200LR e 777-300ER, justamente aeronaves contra as quais o A350-1000 foi projetado para competir.
Desenvolver um turbofan completamente novo para o avião da Airbus exigiria um investimento estimado em bilhões de dólares. Para a GE, o projeto poderia significar a disputa por parte de um programa no qual a Rolls-Royce já estava posicionada, além do risco de criar uma alternativa impulsionada pela própria empresa para o 777. A fabricante também apontou a sobreposição limitada entre os programas GE90 e GEnx como justificativa para não avançar. Embora tenha sugerido que poderia produzir um motor com desempenho superior ao Trent XWB, a GE não demonstrou disposição para desenvolver esse produto enquanto ele pudesse afetar sua posição no mercado do 777.
A Rolls-Royce, por sua vez, não apenas adaptou um motor existente. O Trent XWB foi concebido especificamente para o A350 e atende às duas principais versões da família: o XWB-84, com 84 mil libras de empuxo, no A350-900, e o XWB-97, com 97 mil libras, no A350-1000. A variante de maior empuxo recebeu modificações profundas, incluindo um núcleo maior, novos estágios no compressor de pressão intermediária e melhorias de resfriamento para suportar cargas térmicas mais elevadas. Na prática, a fabricante desenvolveu uma evolução substancial dentro da mesma família para cumprir uma tarefa que a GE decidiu não assumir.
A exclusividade do A350-1000 existia desde o início do programa. Para o A350-900, ainda havia possibilidade teórica de um segundo fornecedor até 2025, quando o acordo anterior terminaria. Em 11 de março de 2021, a Rolls-Royce anunciou que a Airbus havia prorrogado por cinco anos o acordo relativo ao XWB-84, levando a exclusividade até 2030. A extensão foi associada ao cronograma do programa de motores UltraFan, então tratado como a próxima etapa tecnológica da empresa. Mais tarde, a Rolls-Royce passou a destacar a modernização da atual série Trent, com foco em durabilidade, confiabilidade e disponibilidade, além de mencionar os prazos mais longos de desenvolvimento e certificação provocados por fatores geopolíticos e pressões nas cadeias de suprimentos.
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