Operações com um piloto avançam em tecnologia, mas enfrentam barreiras
A aviação comercial se aproxima tecnicamente de operações com menor número de pilotos, mas a mudança continua limitada por preocupações de segurança, resistência sindical e decisões regulatórias. A proposta mais imediata não prevê necessariamente a retirada completa do segundo piloto: as chamadas operações com tripulação mínima estendida, ou eMCO, permitiriam que dois pilotos se alternassem durante trechos de baixa carga de trabalho, como o cruzeiro. Assim, um profissional poderia descansar enquanto o outro permaneceria responsável pelo voo. O objetivo seria reduzir custos de tripulação sem adotar, de imediato, a operação verdadeiramente monopiloto. No entanto, uma lei aprovada nos Estados Unidos em fevereiro de 2026 passou a exigir dois pilotos descansados em todos os voos comerciais de passageiros, impedindo avanços nessa direção enquanto estiver em vigor.
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- Fonte
- Simple Flying
- Data
- 12 de agosto de 2026 às 02:22 UTC
- Categoria
- Artigo Tecnico (TEC)
- Maturidade
- Materia

A aviação comercial se aproxima tecnicamente de operações com menor número de pilotos, mas a mudança continua limitada por preocupações de segurança, resistência sindical e decisões regulatórias. A proposta mais imediata não prevê necessariamente a retirada completa do segundo piloto: as chamadas operações com tripulação mínima estendida, ou eMCO, permitiriam que dois pilotos se alternassem durante trechos de baixa carga de trabalho, como o cruzeiro. Assim, um profissional poderia descansar enquanto o outro permaneceria responsável pelo voo. O objetivo seria reduzir custos de tripulação sem adotar, de imediato, a operação verdadeiramente monopiloto. No entanto, uma lei aprovada nos Estados Unidos em fevereiro de 2026 passou a exigir dois pilotos descansados em todos os voos comerciais de passageiros, impedindo avanços nessa direção enquanto estiver em vigor.
A possibilidade de reduzir a tripulação ganhou força nas discussões regulatórias europeias em 2022. Naquele ano, a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação, a EASA, apresentou um documento sobre operações com tripulação mínima estendida e operações monopiloto, conhecido como SiPO. O material foi encaminhado à Organização da Aviação Civil Internacional e avaliava a redução de custos e a possibilidade de diminuir os efeitos de eventuais faltas de tripulantes. A agência chegou a considerar que uma transição poderia ocorrer a partir de 2027, mas reconheceu que os aviões precisariam de mudanças importantes no projeto da cabine e nos sistemas de segurança.
A proposta europeia não tratava apenas de transferir as tarefas do copiloto para o comandante. A EASA descreveu uma mudança no papel do piloto, que passaria a atuar mais como administrador de sistemas do que como operador físico da aeronave. Entre os temas analisados estavam a avaliação e o monitoramento de riscos, a carga de trabalho, a consciência situacional, a tomada de decisões, a coordenação da tripulação, os protocolos de comunicação e o uso da automação. Também seriam necessários novos critérios para gerenciamento da fadiga e treinamento específico para que os pilotos respondessem a emergências usando os recursos automatizados disponíveis. A agência observou ainda que a menor taxa histórica de acidentes poderia tornar mais difícil avaliar riscos raros, mas potencialmente graves.
A principal preocupação de segurança é a incapacitação do único piloto no comando. Esse evento pode resultar de hipóxia, fumaça ou vapores, problemas gastrointestinais severos, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral ou outras emergências médicas. Registros de autoridades europeias de monitoramento de segurança contabilizaram 287 ocorrências de incapacitação de pilotos entre 2019 e 2024, uma média aproximada de um caso a cada seis ou sete dias. Entre os exemplos citados estão a morte de um comandante durante um voo de Airbus A320 na Indonésia, em 2022; uma convulsão sofrida por um copiloto de Airbus A321 na Espanha, em 2024; e um episódio de adormecimento simultâneo não intencional dos pilotos de um A320 na Indonésia, também em 2024. Os casos mostram por que a presença de dois profissionais é considerada uma barreira essencial.
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