Motores a jato não salvaram o gigante bombardeiro B-36
O Convair B-36 Peacemaker foi o maior bombardeiro já construído pelos Estados Unidos e o maior avião de combate movido a motores a pistão a entrar em serviço operacional. Concebido durante a Segunda Guerra Mundial para realizar missões intercontinentais a partir da América do Norte, o modelo entrou em operação em 1948, quando a estratégia americana já estava cada vez mais concentrada no emprego de armas nucleares. Suas seis unidades Pratt & Whitney R-4360 Wasp Major, instaladas em uma configuração de hélices propulsoras, davam ao avião autonomia e capacidade de carga excepcionais. Nas variantes posteriores, quatro turbojatos General Electric J47 foram acrescentados para melhorar a decolagem, a subida e os picos de velocidade. A solução, porém, apenas prolongou a utilidade do B-36 até a consolidação dos bombardeiros totalmente a jato.
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O Convair B-36 Peacemaker foi o maior bombardeiro já construído pelos Estados Unidos e o maior avião de combate movido a motores a pistão a entrar em serviço operacional. Concebido durante a Segunda Guerra Mundial para realizar missões intercontinentais a partir da América do Norte, o modelo entrou em operação em 1948, quando a estratégia americana já estava cada vez mais concentrada no emprego de armas nucleares. Suas seis unidades Pratt & Whitney R-4360 Wasp Major, instaladas em uma configuração de hélices propulsoras, davam ao avião autonomia e capacidade de carga excepcionais. Nas variantes posteriores, quatro turbojatos General Electric J47 foram acrescentados para melhorar a decolagem, a subida e os picos de velocidade. A solução, porém, apenas prolongou a utilidade do B-36 até a consolidação dos bombardeiros totalmente a jato.
O desenvolvimento do Peacemaker começou em 1941, antes da entrada formal dos Estados Unidos na guerra. A exigência central era criar um bombardeiro capaz de alcançar a Europa a partir do território americano, sem depender de bases avançadas que poderiam ser perdidas em um eventual avanço alemão. O conflito terminou antes que o avião estivesse pronto, mas os atrasos no projeto permitiram adaptar sua estrutura ao transporte de armas nucleares muito pesadas. O B-36 dispunha de um compartimento de bombas dimensionado para equipamentos que outros bombardeiros não conseguiam levar, incluindo dispositivos termonucleares experimentais de grande massa. Com a criação do Comando Aéreo Estratégico em 1946, o modelo se tornou o primeiro bombardeiro nuclear verdadeiramente intercontinental dos Estados Unidos.
A Força Aérea americana adquiriu 384 unidades, cada uma com capacidade de transportar até 86 mil libras, ou aproximadamente 39 mil quilogramas, de bombas. Nos primeiros anos de serviço, o B-36 operava em altitudes de cerca de 40 mil pés, posteriormente ampliadas para aproximadamente 45 mil pés, onde os caças soviéticos ainda enfrentavam dificuldades para interceptá-lo. Sua autonomia também permitia aproximar-se do território soviético por diferentes rotas, complicando o planejamento defensivo. Além da função de bombardeiro, algumas aeronaves foram empregadas em reconhecimento fotográfico. Outras foram modificadas para lançar e recuperar aviões de reconhecimento RF-84F/K especialmente adaptados.
A chegada da era dos jatos, contudo, expôs as limitações fundamentais do projeto. Para reduzir o tempo de exposição sobre áreas defendidas e dar mais desempenho em operações com grande peso, a Força Aérea instalou quatro J47 em dois conjuntos sob as asas externas. A configuração ficou associada à expressão “seis girando e quatro queimando”, referência às seis hélices e aos quatro motores a jato. Os turbojatos não eram adequados para o cruzeiro contínuo, principalmente por causa do alto consumo de combustível. Seu uso se concentrava em decolagens pesadas, ganho de altitude e breves acelerações durante a aproximação ou a passagem por regiões ameaçadas.


