Custos de aviões e motores pressionam expansão da carga aérea
O setor de carga aérea atravessa um período de expansão, impulsionado pelo crescimento econômico global e pelo desempenho especialmente forte dos segmentos de tecnologia e manufatura. Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam dificuldades para encontrar aeronaves, motores, peças de reposição e serviços de manutenção em quantidade suficiente. A combinação entre demanda elevada e oferta restrita aumentou os custos de aquisição e operação, dificultando decisões de investimento que mantenham viabilidade econômica. O desequilíbrio atinge tanto cargueiros novos quanto aeronaves usadas e componentes fundamentais para a operação da frota.
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- Fonte
- FlightGlobal
- Data
- 27 de outubro de 2026 às 13:05 UTC
- Categoria
- Carga e Logistica (CRG)
- Maturidade
- Materia

O setor de carga aérea atravessa um período de expansão, impulsionado pelo crescimento econômico global e pelo desempenho especialmente forte dos segmentos de tecnologia e manufatura. Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam dificuldades para encontrar aeronaves, motores, peças de reposição e serviços de manutenção em quantidade suficiente. A combinação entre demanda elevada e oferta restrita aumentou os custos de aquisição e operação, dificultando decisões de investimento que mantenham viabilidade econômica. O desequilíbrio atinge tanto cargueiros novos quanto aeronaves usadas e componentes fundamentais para a operação da frota.
A disponibilidade limitada de aeronaves de passageiros para conversão em cargueiros ampliou a pressão sobre os ativos existentes. Um dos exemplos citados é o Boeing 777-300ER mais antigo, cujo arrendamento mensal subiu US$ 200 mil nos últimos dois anos. Parte dessa valorização está relacionada ao fato de companhias aéreas de passageiros estarem mantendo esses aviões em suas próprias frotas, em vez de liberá-los para conversões. Com menos unidades disponíveis no mercado, operadores de carga e empresas especializadas precisam disputar uma oferta reduzida de aeronaves adequadas.
A valorização dos 777 mais antigos também alterou as referências de preço no mercado de aeronaves usadas. No fim de 2024, exemplares com esse perfil valiam cerca de US$ 30 milhões. Atualmente, segundo os dados apresentados, uma aeronave de meia vida não pode ser obtida por menos de US$ 40 milhões a US$ 45 milhões. A alta encarece projetos de conversão e eleva o capital necessário para ampliar capacidade, justamente quando o setor precisa de mais aviões para acompanhar a procura por transporte aéreo de mercadorias.
A restrição não se limita às células das aeronaves. A procura por motores novos e usados, peças sobressalentes e capacidade de manutenção também aumentou, provocando uma elevação significativa nos preços. Até motores CFM56-7B considerados “inservíveis”, utilizados nos Boeing 737NG, chegaram a ser vendidos por US$ 7 milhões. O valor foi descrito como algo inédito na experiência profissional do executivo citado no material, indicando a intensidade da disputa por componentes que normalmente poderiam ser vistos como ativos de menor valor operacional.
O encarecimento dos motores cria pressão adicional sobre as companhias aéreas de carga porque afeta simultaneamente a expansão da frota, a disponibilidade dos aviões e os custos de manutenção. Mesmo quando uma empresa encontra uma aeronave adequada, a obtenção de motores e peças pode dificultar ou retardar a colocação do ativo em serviço. O mercado, portanto, não enfrenta apenas uma falta de capacidade de transporte, mas também limitações na cadeia de suprimentos necessária para sustentar essa capacidade. A cobertura caracteriza esse quadro como um desequilíbrio estrutural entre a expansão do frete e a oferta restrita de ativos aeronáuticos.
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