Prejuízo do VC-25B supera US$ 3 bilhões para a Boeing
A Boeing registrou mais US$ 280 milhões em perdas no programa VC-25B, destinado a substituir os atuais aviões presidenciais VC-25A dos Estados Unidos. O novo encargo elevou para mais de US$ 3 bilhões o prejuízo acumulado da empresa no projeto, contratado por preço fixo. Apesar do impacto financeiro, a companhia mantém a previsão de entregar o primeiro avião em 2028, enquanto a segunda aeronave deverá ser entregue em 2029. O caso voltou a expor os riscos de transferir grande parte das incertezas de um programa complexo para o fabricante em troca de uma promessa de economia imediata para o governo.
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- Fonte
- Simple Flying
- Data
- 10 de agosto de 2026 às 04:14 UTC
- Categoria
- Defesa e Militar (DEF)
- Maturidade
- Materia

A Boeing registrou mais US$ 280 milhões em perdas no programa VC-25B, destinado a substituir os atuais aviões presidenciais VC-25A dos Estados Unidos. O novo encargo elevou para mais de US$ 3 bilhões o prejuízo acumulado da empresa no projeto, contratado por preço fixo. Apesar do impacto financeiro, a companhia mantém a previsão de entregar o primeiro avião em 2028, enquanto a segunda aeronave deverá ser entregue em 2029. O caso voltou a expor os riscos de transferir grande parte das incertezas de um programa complexo para o fabricante em troca de uma promessa de economia imediata para o governo.
O projeto começou com uma abordagem diferente. Em vez de construir aeronaves novas especificamente para a missão presidencial, a Força Aérea dos Estados Unidos selecionou dois Boeing 747-8 parcialmente concluídos e originalmente produzidos para a companhia russa Transaero. Os aviões permaneceram armazenados depois do colapso da empresa aérea e foram escolhidos como uma alternativa considerada mais econômica. A conversão, porém, exigiu modificações extensas, incluindo reforços estruturais, proteção contra pulsos eletromagnéticos, sistemas defensivos, capacidade de reabastecimento em voo, novos equipamentos de missão e alterações na fiação e na infraestrutura interna.
Durante o primeiro mandato de Donald Trump, o contrato foi renegociado depois de o então presidente eleito criticar publicamente o custo estimado do programa. Em 2018, a Casa Branca e a Boeing anunciaram um acordo de preço fixo limitado a aproximadamente US$ 3,9 bilhões para as duas aeronaves e os trabalhos associados. A Força Aérea afirmou que o pacto representaria uma economia superior a US$ 1,4 bilhão para os contribuintes, em comparação com a estimativa anterior de cerca de US$ 4 bilhões. O valor citado, contudo, correspondia ao custo estimado do programa como um todo, e não necessariamente ao montante contratual que seria recebido pela Boeing. O acordo foi apresentado como uma vitória financeira, mas os resultados posteriores foram bem diferentes.
A complexidade da conversão contribuiu para os atrasos e para os custos adicionais. A Boeing teria subestimado a dificuldade de transformar aeronaves comerciais já prontas em plataformas presidenciais altamente especializadas. O programa também enfrentou perturbações associadas à pandemia de Covid-19, exigências de credenciamento de segurança para funcionários de fornecedores, problemas identificados na instalação da fiação e a falência de empresas da cadeia de fornecimento. A previsão original de entrega em 2024 foi postergada para 2028. Com isso, a Força Aérea precisa manter os antigos VC-25A em serviço por mais tempo, assumindo trabalhos de manutenção não planejados e potencialmente mais dispendiosos para preservar sua disponibilidade operacional.
A demora também levou à busca de uma solução provisória. O governo do Catar concordou em fornecer um Boeing 747-8i VIP excedente, que passou a ser chamado de VC-25 Bridge, para uso temporário. O material informa que a adaptação da aeronave consumiu pelo menos US$ 400 milhões reconhecidos publicamente e que reportagens apontaram a transferência de aproximadamente US$ 934 milhões, com recursos associados ao programa de mísseis Sentinel. Como o avião não foi projetado originalmente para receber todas as características de um VC-25 presidencial, sua adaptação não alcançou necessariamente o mesmo padrão de proteção, reforço estrutural, reabastecimento aéreo e sistemas defensivos. O custo total pode superar US$ 1 bilhão para um período de utilização estimado em cerca de dois anos, até a chegada dos VC-25B, e a aeronave foi retirada temporariamente de serviço para receber novos aprimoramentos.
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