Exercícios mostram como helicópteros podem escapar de radares de caças
Embora caças sejam projetados para dominar o combate aéreo, exercícios realizados nos Estados Unidos e na Hungria mostraram que helicópteros podem representar uma ameaça relevante em determinadas condições. Voando em baixa altitude, usando o relevo e aproveitando limitações dos sensores adversários, essas aeronaves conseguiram dificultar a detecção, o rastreamento e o emprego de armas por caças. O fenômeno foi demonstrado principalmente durante o exercício Joint Countering Attack Helicopter (J-CATCH), conduzido em 1978 e 1979, e voltou a aparecer cerca de três décadas depois, no exercício Load Diffuser, realizado na Hungria em 2008.
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Embora caças sejam projetados para dominar o combate aéreo, exercícios realizados nos Estados Unidos e na Hungria mostraram que helicópteros podem representar uma ameaça relevante em determinadas condições. Voando em baixa altitude, usando o relevo e aproveitando limitações dos sensores adversários, essas aeronaves conseguiram dificultar a detecção, o rastreamento e o emprego de armas por caças. O fenômeno foi demonstrado principalmente durante o exercício Joint Countering Attack Helicopter (J-CATCH), conduzido em 1978 e 1979, e voltou a aparecer cerca de três décadas depois, no exercício Load Diffuser, realizado na Hungria em 2008.
A principal vantagem dos helicópteros nesses cenários está na capacidade de operar próximos ao solo, onde colinas, árvores, montanhas e construções produzem retornos conhecidos como “clutter” terrestre. Quando permanece misturado a esse fundo, o helicóptero pode se tornar mais difícil de detectar e engajar. Segundo Nick Lappos, ex-piloto de AH-1 Cobra do Exército dos Estados Unidos e especialista técnico emérito da Sikorsky, essa condição dificulta a localização da aeronave por diferentes meios. Enquanto isso, o helicóptero pode empregar mísseis ar-ar e canhões contra caças que precisem manobrar em altitude relativamente baixa e contra o céu aberto.
A velocidade reduzida e a menor assinatura de radar dos helicópteros também complicam a tarefa dos sistemas de combate dos caças, normalmente otimizados para localizar e acompanhar alvos aéreos mais rápidos. Mísseis guiados por infravermelho podem ter dificuldade para adquirir a aeronave diante do fundo terrestre, enquanto o uso do canhão exige que o piloto administre cuidadosamente as elevadas velocidades de aproximação. Outro recurso mencionado é o chamado “Doppler notch”. Ao manobrar perpendicularmente à linha de visada do radar, o helicóptero reduz sua velocidade radial relativa e pode fazer sua assinatura Doppler se confundir com os retornos de objetos estacionários, dificultando a manutenção do rastreamento.
No J-CATCH, o 20º Esquadrão de Operações Especiais da Força Aérea dos Estados Unidos empregou helicópteros Bell UH-1N Iroquois e CH-3E Sea King em cenários de combate simulado. Na fase de 1979, realizada na Base Aérea de Eglin, na Flórida, a unidade atuou como força agressora, simulando helicópteros Mi-24 Hind. Os adversários incluíam caças F-4 Phantom II, A-7 Corsair II, A-10 Thunderbolt II e F-15 Eagle. As aeronaves começaram enfrentando um helicóptero desarmado e sem manobras, mas a complexidade aumentou até incluir toda a força agressora. Os pilotos de helicóptero eram treinados para voo e navegação de precisão em altitudes de até 25 pés, ou 7,62 metros, acima do solo.
Para reproduzir ameaças previstas, os helicópteros receberam mísseis cativos, sistemas de canhão e equipamentos de gravação destinados à análise dos combates e dos parâmetros de voo. Ao longo de todas as fases, o esquadrão acumulou 700 horas de voo em 547 missões. De acordo com o material, os helicópteros chegaram a obter uma proporção de até cinco vitórias simuladas para cada perda contra os caças em combates de curta distância. O participante John W. Grove relatou que os pilotos podiam quebrar o bloqueio do radar apontando o nariz para um lado e deslocando-se para o outro, uma manobra que confundia os pilotos de caça. O relato indica que, uma vez rompido o bloqueio, o helicóptero ganhava uma oportunidade adicional de reposicionamento ou ataque.


