CMV-22B substitui C-2 Greyhound no reabastecimento naval
A Marinha dos Estados Unidos encerrou a era do Grumman C-2A Greyhound nas missões de transporte logístico embarcado e passou a utilizar o Bell CMV-22B Osprey. A mudança altera uma atividade que, por cerca de seis décadas, foi realizada por aviões turboélice capazes de operar com catapultas e cabos de parada em porta-aviões. Embora o tiltrotor transporte menos carga e tenha menor alcance sem reabastecimento quando comparado ao Greyhound, a Marinha considera que sua capacidade de pouso e decolagem vertical oferece maior flexibilidade para uma frota distribuída. A principal justificativa está no transporte do módulo de potência F135, utilizado pelos caças F-35C da Marinha e F-35B do Corpo de Fuzileiros Navais.
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- Fonte
- Simple Flying
- Data
- 4 de outubro de 2026 às 02:29 UTC
- Categoria
- Carga e Logistica (CRG)
- Maturidade
- Nota
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A Marinha dos Estados Unidos encerrou a era do Grumman C-2A Greyhound nas missões de transporte logístico embarcado e passou a utilizar o Bell CMV-22B Osprey. A mudança altera uma atividade que, por cerca de seis décadas, foi realizada por aviões turboélice capazes de operar com catapultas e cabos de parada em porta-aviões. Embora o tiltrotor transporte menos carga e tenha menor alcance sem reabastecimento quando comparado ao Greyhound, a Marinha considera que sua capacidade de pouso e decolagem vertical oferece maior flexibilidade para uma frota distribuída. A principal justificativa está no transporte do módulo de potência F135, utilizado pelos caças F-35C da Marinha e F-35B do Corpo de Fuzileiros Navais.
O C-2A podia levar aproximadamente 10 mil libras de carga, enquanto o CMV-22B tem uma restrição de cerca de 6 mil libras. Essa diferença alimentou críticas à substituição, mas não representa, sozinha, toda a capacidade logística necessária às operações navais atuais. Segundo o material, o compartimento de carga mais largo do Osprey permite transportar o módulo do motor F135 inteiro, com peso aproximado de 3.750 libras. No Greyhound, o componente não passava pela porta de carga sem um processo complexo de desmontagem. A possibilidade de levar o módulo completo simplifica o apoio aos esquadrões equipados com o F-35 e atende simultaneamente às necessidades da Marinha e dos fuzileiros navais.
Outra diferença importante é que o CMV-22B não depende exclusivamente do convés de um porta-aviões. Como pode operar verticalmente, o avião pode pousar em navios de assalto anfíbio, em embarcações menores e, em determinadas situações, em instalações remotas em terra. A aeronave também pode realizar reabastecimento vertical, conhecido como VERTREP, transportando cargas suspensas sob a fuselagem para destróieres e outros navios que não dispõem de pista convencional. Essa característica transforma a missão de transporte entre terra e porta-aviões em uma ferramenta capaz de distribuir suprimentos por diferentes pontos de uma força naval dispersa.
O Osprey mantém desempenho de cruzeiro considerado semelhante ao do Greyhound e pode transportar sua carga máxima por cerca de 1.150 milhas náuticas, ou 2.130 quilômetros. A aeronave é impulsionada por dois motores Rolls-Royce de 6.200 cavalos de potência no eixo e dispõe de reabastecimento em voo, o que permite ampliar significativamente seu alcance. Sua cabine conta com rampa motorizada e sistema de roletes para paletes militares, além de acomodar até 24 passageiros. A operação a partir de pequenos aeródromos civis, ilhas remotas e navios sem catapulta também se alinha às estratégias de emprego distribuído defendidas pelas forças armadas americanas.
A transição, porém, ocorreu com dificuldades. A escolha do CMV-22B foi formalizada em 3 de fevereiro de 2016, o primeiro exemplar de produção foi entregue em fevereiro de 2020 e a capacidade operacional inicial foi alcançada em dezembro de 2021. O programa aproveitou dados de testes do MV-22 usado pelo Corpo de Fuzileiros Navais, o que encurtou o processo de desenvolvimento. Em contrapartida, parte da avaliação operacional ocorreu enquanto a aeronave já era empregada em missões de logística. Em seu relatório fiscal de 2023, o diretor de testes e avaliações operacionais do Pentágono concluiu que o modelo ainda não era operacionalmente adequado devido a falhas em diversos subsistemas. O sistema de proteção contra gelo respondeu por 44% das falhas de missão registradas pelos avaliadores.
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