Agência que controla o setor de aviação civil considera superados problemas no tráfego aéreo e na falta de concorrência e pretende priorizar serviços para os usuários do sistema a partir deste ano.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu priorizar neste ano os investimentos nos canais de atendimento ao público.Após dois anos dedicados à reorientação do mercado aéreo, o órgão regulador do segmento constatou a superação de gargalos estruturais na administração do tráfego e o recente acirramento da concorrência entre as concessionárias.
Com isso, a diretoria quer agora dar passo adiante em outras frentes. "Nosso foco em 2010 é tornar os serviços da Anac mais eficientes para os usuários", declarou Solange Vieira, presidente da agência, ao Brasil Econômico.
Ela afirma que o principal desafio ao assumir a presidência da Anac no fim de 2007 foi participar da organização do setor aéreo após um período classificado como "extremamente crítico". E ressalta o papel do ministro Nelson Jobim, da Defesa, no comando do processo que também incluiu a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e a Aeronáutica.
"Hoje temos um setor aéreo com mais segurança, mais passageiros e mais concorrência, o que resultou em menores preços, menos acidentes e redução de atrasos", comemora.
Disputa por mercado
Segundo os cálculos da Anac, houve crescimento de 17,7% na demanda por voos domésticos em 2009, mas uma média de 11% de atrasos no período.
A concentração de mercado aéreo, uma das críticas de entidades de defesa dos consumidores, não impediu movimentos em favor de mais concorrência.
"As companhias de pequeno porte já representam 16% do mercado brasileiro e o preço por quilômetro voado no ano passado foi o mais baixo dos últimos oito anos", sublinha Solange Vieira.
O consultor André Castellini, da Bain & Company, acrescenta que o chamado duopólio TAM-Gol, com até 85% de mercado, não impediu "a maior concorrência já vista no setor". E o principal sintoma disso é o aumento da oferta de assentos e a queda nas tarifas no ano passado apesar da maior demanda.
Esse fenômeno se deve à oposição entre os modelos de negócios das duas líderes, que focam sua atuação em destacam serviço, no caso da TAM, e custo, na preferência da Gol.
Na mais recente vitória da Anac, os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram por unanimidade, na semana passada, autorizar a agência aérea a distribuir a outras companhias os 61 horários de pouso e decolagem ( os chamados slots) que a Pantanal detinha no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
O processo havia sido iniciado em 3 de fevereiro, mas foi interrompido por medida judicial impetrada pela Pantanal, comprada pela TAM em dezembro.
A decisão sinaliza ao mercado que uma companhia aérea não pode manter espaço no aeroporto quando está prestando serviço deficiente.
"Isso prejudica os passageiros e impede o aumento da concorrência no setor aéreo", afirmou Solange.
Fiscalização ao vivo
Entre os hábitos que essa economista carioca incorporou ao dia a dia de suas funções no comando da agência é realizar inspeções in loco nos aeroportos.
"Eu e outros diretores participamos pessoalmente das maiores ações de fiscalização nos períodos de alta temporada, como em dezembro".
Outra postura adotada por ela como presidente da Anac é tomar o lugar do passageiro, para constatar as mesmas impressões do público.
"Viajamos sempre em voos comerciais, variando as companhias, com o objetivo de avaliar as necessidades dos passageiros e a qualidade dos serviços", revela a executiva.
Solange Vieira faz também questão de salientar o perfil técnico de sua diretoria, o que ela considera como um dos pontos fortes do órgão regulador.
"Felizmente temos excelentes técnicos na Anac não apenas na diretoria, mas também nas suas superintendências e gerências", ressalta.
Para ela, as mulheres já avançaram muito na luta pelos postos no cenário corporativo brasileiro, ocupando, inclusive, diversas posições estratégicas e de grande responsabilidade.
"Mas ainda há grande espaço para conquistar, em especial com relação à equiparação de remuneração com os homens", alerta ela.
Fonte: Brasil Economico |