A aeronave decolou com sete pessoas a bordo, quatro adultos (incluindo o piloto) e três crianças, do Aeroporto Internacional de Boa Vista - RR (SBBV), com plano de vôo para o aeródromo de Surumu (SWMU), também em Boa Vista.
O vôo transcorreu sem anormalidades, porém com condições meteorológicas adversas, teto variando de 1.500 a 4.500 pés.
Ao chegar na localidade de Alto Mucajaí, local diferente do informado no plano de vôo (sem pista de pouso registrada) e pertencente à área restrita SBR-701, havia chuva na vertical e o piloto aguardou melhorar a visibilidade permanecendo em órbita por cinco minutos.
Durante o pouso, percebendo que não seria possível executa-lo com sucesso, realizou a arremetida, onde, na seqüência, a parte inferior da aeronave chocou-se com a ponta de uma árvore no prolongamento da cabeceira da pista.
A aeronave, após a colisão, perdeu sustentação e colidiu com o solo, sofrendo danos leves. Os ocupantes saíram ilesos.
ANÁLISE
O processo decisório do piloto sofria influência negativa externa, desde o momento de sua decolagem, pois declarou no plano de vôo que iria para Sumuru, mas na verdade estava se dirigindo para Alto Mucajaí, que além de estar numa área restrita, sendo necessária uma Autorização de Vôo em Área Restrita (AVOAR), tinha a bordo pessoas amigas que tinham o desejo de conhecer uma aldeia indígena. Esses fatos influenciaram a sua decisão de efetuar o pouso na localidade.
A decolagem para outro local que não o relatado e os passageiros que levava para conhecer a aldeia aumentaram o grau de ansiedade do piloto prejudicando a sua condição normal dentro do processo de tomada de decisão.
A presença de chuva na localidade, além de contribuir para aumentar ainda mais o grau elevado de ansiedade do piloto, que tinha interesse em efetuar o pouso na localidade, elevou o nível de perigo envolvido na operação, haja vista que nessa condição a tendência de correntes de ar ascendente e descendente, foi bem maior e invariável, assim como o vento de cauda que o surpreendeu na final.
O pouso em pista não registrada aumenta sobremaneira a possibilidade da ocorrência de um acidente.
Mesmo com a pista molhada, bastante curta (pouco menos de 500 metros) e com vento de cauda, o piloto julgou ser seguro efetuar a aproximação e o pouso.
A missão foi planejada para pouso em pista não regularizada e que mesmo se o fosse, haveria necessidade de AVOAR.
O planejamento não foi efetivo, haja vista que a necessidade imperiosa do piloto em efetuar o pouso na localidade, fez com que duas tentativas de pouso fossem efetuadas, mesmo estando a operação de pouso em condições marginais.
Ao arremeter, o piloto aplicou os comandos de vôo (profundor) e potência abaixo da amplitude necessária para livrar os obstáculos existentes na cebeceira oposta.
CONCLUSÃO
FATOR MATERIAL: Não contribuiu.
FATOR HUMANO:
§ Aspecto Psicológico ? Contribuiu.
FATOR OPERACIONAL:
§ Condições Meteorológicas Adversas ? Contribuíram.
§ Deficiente Infra-estrutura ? Contribuiu.
§ Deficiente Julgamento ? Contribuiu.
§ Deficiente Planejamento ? Contribuiu.
§ Deficiente Supervisão ? Contribuiu.
§ Deficiente Aplicação de Comando ? Contribuiu.
§ Indisciplina de Vôo ? Contribuiu.
RECOMENDAÇÃO DE SEGURANÇA
Às SIPAA 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7:
1. Deverão divulgar este acidente em seminários, palestras e empresas aéreas, principalmente àquelas que operam a aeronave U-206 G, em suas áreas de jurisdição, visando à disseminação dos ensinamentos obtidos com a presente investigação.
DIVULGAÇÃO OPERACIONAL
DE SEGURANÇA DE VÔO Nº 17/2003 Fonte: DAC |