HISTÓRICO
A aeronave decolou com um piloto e cinco passageiros à bordo.
Logo após a decolagem, o piloto perdeu o controle da aeronave, vindo a se chocar com o solo, próximo à cabeceira oposta (antes da mesma), numa plantação de milho à esquerda do eixo de decolagem.
A aeronave incendiou-se, vindo a queimar totalmente a fuselagem e a asa esquerda, ocasionando a morte de todos os ocupantes.
ANÁLISE
DA AERONAVE:
A aeronave encontrava-se em dia com sua manutenção periódica e inspeções.
DO PILOTO:
O piloto encontrava-se com seus certificados e habilitações atualizadas, sendo que seu último cheque foi realizado por examinador credenciado.
DO ACIDENTE:
No dia da missão, a aeronave foi abastecida com 564 litros de combustível, o que sugere que o combustível total da aeronave era superior a esse valor, apesar de, segundo o manual da aeronave, os tanques de combustível comportarem apenas 550 litros.
Havia, ainda, mais 100 litros de combustível em dois galões, que foram utilizados para o reabastecimento da aeronave antes da decolagem e mais dois litros de óleo lubrificante.
Seria inconsistente acreditar que a mesma ficou sem combustível remanescente.
O combustível consumido e a duração do deslocamento foram estimados em 181 litros e 1h38', haja vista que, em rota, uma aeronave de mesmo tipo e modelo tem um consumo médio de 110 litros a cada hora e velocidade de cruzeiro de 195 nós.
Para se calcular o peso de decolagem no momento do acidente, somou-se o peso básico da aeronave (1.415 Kg), peso total dos ocupantes (528 Kg), peso dos 483 litros de combustível remanescente (346 Kg) e o peso de 02 litros de óleo lubrificante (02 Kg). Com isso chegou-se ao valor numérico de 2.291 Kg.
De acordo com o Manual da Aeronave, o peso máximo para o Beech BE-95 é de 2.268 kg, ou seja, no momento da decolagem, o avião estava com 23 kg de excesso de peso, o que tornaria impraticável o vôo dentro das normas da Aviação Civil Brasileira.
Desta forma, o peso em excesso para a decolagem, calculado em 23 Kg, pode ser bastante superior, uma vez que seria inconsistente supor que a aeronave pernoitou com os tanques totalmente vazios na véspera do deslocamento e que nenhum passageiro levou bagagem.
De acordo com as informações colhidas, a cauda da aeronave tocava o solo no momento do embarque, só saindo do solo após a partida dos motores, ratificando que houve deslocamento do "CG" da aeronave, tornando seu controle de arfagem extremamente difícil, haja vista que nessa situação a tendência natural do nariz é querer ficar cada vez mais alto, numa crescente subida, diminuindo a velocidade até chegar a uma situação, irreversível, de estol da aeronave.
CONCLUSÃO
DEFICIENTE SUPERVISÃO - Contribuiu;
DEFICIENTE PLANEJAMENTO - Contribuiu; e
DEFICIENTE JULGAMENTO - Contribuiu.
RECOMENDAÇÃO DE SEGURANÇA DE VÔO
O SIPAER SOLICITA QUE SEJA DADA AMPLA DIVULGAÇÃO DE OCORRÊNCIAS ENVOLVENDO PESO E BALANCEAMENTO, PROCURANDO CONSCIENTIZAR PILOTOS, MECÂNICOS E PROPRIETÁRIOS QUANTO AOS FATORES CONTRIBUINTES E MEIOS DE EVITAR ACIDENTES DESTE TIPO, NORMALMENTE FATAIS, ASSIM COMO A ADOÇÃO DE MEDIDAS PREVENTIVAS. Fonte: SIPAER |