HISTÓRICO
O piloto, instrutor de Aeroboero do Aeroclube de Carazinho/RS, transladou solo o Corisco até São José/SC a fim de transportar o proprietário da aeronave e sua família de volta à Carazinho.
O vôo transcorreu sem problemas e a etapa durou 01:55 h. No retorno, ao livrar a terminal Florianópolis, com 35 minutos de vôo, nivelado no FL 085, o piloto notou um súbito disparo de hélice. Enquanto tentava regular a rotação, notou que a pressão do óleo caiu a zero e o mesmo se depositava sobre a carenagem do motor, com forte cheiro e fumaça. Como estava visual sobre a BR-282, resolveu fazer uma aproximação de emergência para a rodovia sobre um trecho sem curvas e movimento de veículos.
O piloto informou ao ACC Curitiba sua intenção e realizou o tráfego cortando o motor na perna do vento. Realizou o pouso na estrada com o trem recolhido, vindo a aeronave, já no solo, a colidir com um pinheiro que fez com que o avião realizasse um cavalo de pau e batesse num barranco, onde parou seu movimento. A aeronave sofreu danos graves. O piloto e os três passageiros a bordo saíram ilesos.
ANÁLISE
Por não possuir conhecimento técnico da aeronave, o piloto efetuou um planejamento errôneo, tendo abastecido por completo os tanques da aeronave na saída de São José - SC. Devido a este fato, acabou por decolar com excesso de peso, visto estar com mais três passageiros a bordo.
Mesmo não possuindo conhecimento técnico da aeronave, o piloto assumiu o comando do avião, o qual, conhecia e tinha voado muito pouco, desconsiderando os riscos de uma operação sem o mínimo de segurança.
Não foi possível determinar se houve a intenção proposital do piloto de não baixar o trem para realizar o pouso na estrada ou se ele esqueceu de fazê-lo. A segunda hipótese é mais provável, considerando-se a sua pouca experiência em aeronaves de trem retrátil e por ele não ter baixado o flape abaixo de 10º, ação que desencadearia o soar da buzina do trem.
A pouca experiência do piloto pode ter contribuido na medida em que o seu pouco conhecimento da aeronave e suas atitudes podem ter causado os graves danos sofridos pelo avião.
A pouca experiência do piloto pode ter contribuido para uma inadequada tomada de decisão frente à circunstância, resultando em sérios danos à aeronave, talvez desnecessários.
O piloto demonstrou desconhecer totalmente os limites operacionais, bem como, os procedimentos a serem adotados em caso de um pouso forçado.
CONCLUSÃO
FATOR HUMANO - Indeterminado (aspecto psicológico);
FATOR MATERIAL - Não contribuiu; e
FATOR OPERACIONAL - Contribuiu
- deficiente manutenção;
- deficiente instrução; br> - deficiente supervisão;
- deficiente planejamento; e
- indisciplina de vôo
Indeterminado
- deficiente julgamento;
- pouca experiência na aeronave; e
- esquecimento
RECOMENDAÇÕES DE SEGURANÇA DE VÔO
Às Escolas de Aviação:
1. Deverão enfatizar os ensinamentos contidos neste relatório, fins mostrar a importância de uma correta postura, de doutrina e de conhecimentos técnicos adquiridos, em qualquer aeronave que o piloto esteja voando.
Aos proprietários de aeronaves:
3. Deverão manter um rígido controle atualizado das cadernetas de registro de horas e manutenção da aeronave a fim de cumprir rigorosamente o plano de manutenção previsto para cada equipamento, mantendo-o em condições seguras de operação.
4. Não deverão contratar pilotos sem a qualificação adequada para operação de sua aeronave.
5. Deverão conhecer as características técnicas e o manual de operação de sua aeronave para que tenham condições de exigir o cumprimento por parte de seus pilotos. Fonte: SIPAER |