Santos Dumont era conhecido pela sua inteligência, um homem de bom gosto, e até mesmo por alguns como excêntrico. Cabelos separados ao meio, roupas de listras marrons, usava golas altas, que ficaram conhecidas como "gola de Santos"- um símbolo da Belle Époque- e um cinto que todos passaram a copiar, o chapéu desabado de Panamá, virou moda. Mas sobre tudo, era conhecido como o gênio da criatividade, não patenteava nenhum de seus eventos, tais como: o relógio no pulso, regulagem de temperatura em chuveiros, o uso de rodas nas porta (portas de correr), o ultraleve, o hangar, o aeromodelismo, o aileron, o aeroporto (a palavra Airport em inglês), o horizonte artificial, o uso do alumínio, da roda e do motor a explosão em aeronaves.
Extremamente patriota, amava o Brasil com muita intensidade, em todas as experiências que fez, em todos os vôos que realizou, sempre levou desfraudadamente, a bandeira nacional.
Sentindo-se traído pelo Instituto Smithsonian, de Washington de grande reputação no meio aeronáutico daquela época, que sem cerimônia passou a divulgar que o primeiro vôo mais pesado que o ar era dos irmãos Wilbur e Orville Whigth, a qual uma fotografia era a única prova. Este fato abalou profundamente Santos Dumont, que se aposentou das atividades aeronáuticas e voltou ao Brasil.
Em 1914 começava a Primeira Grande Guerra Mundial, e ao longo dela a primeira grande frustração de Santos Dumont, os bombardeios aéreos. Agora a angustia e a tristeza tomava conta. Antes desta frustração, escreveu seu último livro, " O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos "(1918). Texto extraído do livro:
" Após heróica pertinácia em estudos de laboratório, eles se arrojavam a experimentar máquinas frágeis, primitivas, perigosas. Foram centenas de vítimas que lutaram com mil dificuldades, sempre recebidos como malucos, que não conseguiram ver o triunfo dos seus sonhos, mas que colaboraram com o sacrifício de sua vida. Eu também tive a honra de trabalhar ao lado de alguns desses bravos, porém o Todo Poderoso não quis que o meu nome figurasse junto deles. Não fosse a audácia, digna de todas as nossas homenagens dos Capitães Ferber, Lilienthal, Pilcher, Barão de Bradsky, Augusto Severo, Sachet, Charles, Morin, Delagrange, irmãos Nieuport, Chaver e tantos outros - verdadeiros mártires da ciência - e não assistiríamos a esse progresso maravilhoso da aeronáutica, conseguindo à custa dessas vidas, quando ficava sempre uma lição.
Aos jovens, a maior parte dos meus leitores suplico-lhes: Não se esqueçam desses nomes".
Em 1926, fez um apelo em carta ao embaixador do Brasil na Sociedade das Nações (organização precursora da ONU), solicitando a intervenção das máquinas aéreas como armas de guerra.
Sua segunda frustração ocorreu em 1931, ao regressar de uma viagem a Europa para tratar da sua saúde, alguns aviadores resolveram homenageá-lo na sua chegada na Baía de Guanabara. O hidroavião Bleriót batizado de Santos Dumont, da Kondor Syndicate cheio de amigos, intelectuais e artistas, ao se aproximarem da embarcação Cap Arcona em que viajava, entrou inesperadamente em parafuso e se espatifou no mar, matando todos os passageiros. Santos Dumont que observava comovido as evoluções do avião, nunca mais se compôs deste trauma. Uma profunda depressão o acompanhou por julgar-se culpado por todas as vítimas da aviação.
Eleito neste mesmo ano para a Academia Brasileira de Letras, mas seu estado de saúde obrigou-o a declinar a honra. Finalmente, com a saúde já bastante precária foi levado pela família para Guarujá no litoral paulistano, para uma estação de repouso. Quando estourou a Revolução Constitucionalista de São Paulo em 09 de julho de 1932 e com ela sua terceira e última frustração agora fatal.
Na manhã do dia 23, através da janela do hotel onde estava hospedado, viu os aviões das tropas federais voarem para bombardear as posições dos paulistas, inclusive um cruzador ancorado no porto de Santos. Sua angustia ultrapassou todos os limites. Ele não concebia a utilização do seu invento para fins destrutivos, e muito menos seu emprego contra brasileiros.
No mesmo dia 23 de julho de 1932, a primeira águia humana fechava suas asas definitivamente, enforcando-se no banheiro do hotel.
Pela lei 165 de dezembro de 1947, foi feito Patrono da Aeronáutica. O exercito brasileiro, em 1956, homenageou Santos Dumont elegendo-o Patrono da mais tradicional unidade da Infantaria Pára-quedista, o regimento Santos Dumont, nos dias atuais, 26° B.I. Pqdt.
Decretado Patrono da Força Aérea Brasileira 1971.
Frases de Alberto Santos Dumont:
"O homem há de voar".
"A direção dos balões e vôo mecânico eram problemas insolúveis".
O homem de mente brilhante e de sonhos realizados nos deixou, mas sua história permanece viva no coração de cada um de nós brasileiros, herdeiros de suas vitórias e renovado no sonho de cada criança que olha para o céu e inocentemente aponta com o dedo para o avião que ali cruza, seus olhos brilham e o sorriso irradiante toma parte de seu mundo, como quisesse dizer algo que inexplicavelmente sabemos traduzir.
Parabéns a todos os Colegas Pilotos e que neste dia 23 de outubro possamos comemorar e darmos seqüência à história de nossa aviação brasileira, pois somos filhos do Pai da Aviação.
Luiz Carlos S. Cruz
Fotos: Divulgação
Fontes consultadas:
www.farolbrasil.com.br
www.cabangu.com.br
www.paranet21.com.br
www.rudnei.cunha.nom.br
www.sobiografias.hpg.ig.com.br |